quinta-feira, 15 de abril de 2010

Theatre of fear - LOST WORLD

Theatre of fear (Teatro do medo)


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(Do EP "( A ) Capitalism is the disease ( E )")

o palco está claro eu olho em volta
ignorância e cegueira estão lutando
pessoas sem rosto
corpos movem-se sem sentido em círculos

é o teatro do medo
não há um fim no interior
muit@s coadjuvantes
no teatro do medo

próximo ato a luta continua
egoísmo e intolerância estão lutando sem esperança de chegar a um entendimento
até que um dia a cortina cai
o que resta é a esperança por um mundo melhor

era um teatro do medo
o final era previsível
muit@s coadjuvantes
no teatro do medo



Haveria - em algum lugar - algo que fosse diferente? (*)


Não era assim que ela imaginava que fosse ser. A mudança, outrora sempre vinha à mente como uma possibilidade a mais de buscar algo que fosse vívido ou diferente... não apenas mais uma ausência de alternativas mediante o esgotamento das expectativas construídas sobre o modo de vida anterior. Isso lhe parecia triste, mudar não pela coragem mais pela covardia, não pela força mas pela fraqueza, não pelo entusiasmo mas pela amargura. E ela se sentia amarga como nunca, talvez apenas numa fase e nunca a pior delas, mas eram dias de um vazio indescritível... seus passos era tão leves que não marcavam a areia, fazendo com que seus caminhos não tivessem nem passado e nem futuro... mesmo sempre saindo de algum lugar e chegando a outro, havia um tipo de restrição oculta nos espaços por onde ela transitava, que sua experiência e conhecimento acumulados talvez nunca fossem suficientes para desvendar.
Ela com certeza conseguia dissimular suas incertezas e o seu descompasso com o mundo sem maiores problemas, mesmo pq ninguém está fora o suficiente de seus próprios objetivos sequer para percebê-la, para entrar em contato com Ela e com outr@s que carregam em sí um genuíno descontentamento à ordem das coisas, mas que não conseguem mais construir seus sonhos e novos mundos, ou viver apenas deles.
Isso não fazia muita diferença, agora que um novo caminho estava sendo criado, agora que novas escolhas haviam sido feitas. Na verdade, não havia nada de novo naquilo e ela sabia, era apenas um reinício em um outro contexto, em um outro ambiente, mas ainda assim circundado pelas mesmas estruturas e com os mesmos princípios. Era tudo tão igual que, lá no fundo, ela se perguntava se havia em algum lugar sobre a terra, algo que fosse diferente.
Assim os dias prosseguiam movidos pela deseperança... A última partida havia sido uma derrota e, mesmo que talvez essa próxima rodada lhe reservasse alguma vitória, ela não sabia mais se isso seria relevante. Vitórias e derrotas sempre se confundem no mundo da indiferença.
Talvez o problema alí não fosse realmente a mudança da realidade ou a disputa de alguma partida, mas apenas Ela mesma e seus valores, seus objetivos. Ela sabia que o problema – ou a principal resposta para os problemas – estava em sua força, nas esperanças que lhe restavam. Assim ela seguia, incerta, e vez ou outra imaginava quando suas forças iriam se esvair e quando o que lhe resta como seu seria finalmente entregue. Questionava-se sem saber que não havia mais força alguma, nem tempo... e que – tudo o que ela fora algum dia – já estava perdido em algum lugar, ou como uma lembrança triste, ou como uma pegada apagada na areia.


sometimes dreams can be deceiving... (**)


Clique em cada uma das páginas (sempre da esquerda para a direita) para vê-las em um tamanho legível.



(***)


* texto / fragmento do que talvez viesse a ser o quinto e último "Vá até lá... e sinta." junho de 2004.

** imagem retirada do zine "Sonhos Esquecidos" junho de 2002.

*** trecho da HQ "Black Hole", do Charles Burns, publicada pela editora conrad em 2007.
VEJA O MUNDO COMO ELE É... SINTA A VIDA COMO GOSTARIA QUE ELA FOSSE!
( A ) // ( E )